domingo, 17 de janeiro de 2016

Os filmes de Lana Turner

Um sex-symbol está sempre limitado na sua carreira. Marilyn Monroe é um bom exemplo. Embora eu considere as suas comédias , em que faz de loira burra, uma maravilha (como Gentlemen Prefer Blondes e The Seven Year Itch), não posso dizer que a sua carreira seja muito rica, com muitos filmes magistrais, nem demasiado variada. Marilyn queria fazer "filmes sérios", isto é, dramas, pois, só assim, provaria ser uma boa atriz. Para mim, ela comprou o seu talento com as comédias e não tanto com os dramas. Fazer de burra de um modo convincente não é para todos. Mas Marilyn fazia-o como ninguém. Isto tem um nome. Talento!



Marilyn não teve uma carreira muito variada. Outros sex-symbols do período clássico conheceram o mesmo caminho. Rita Hayworth fez musicais e conheceu bastantes dramas. Mas não mais que isso. Betty Grable foi rainha dos musicais escapistas dos anos 40. E que dizer de Lana Turner? Essa sim, tem uma carreira variada. E, além disso, pautada igualmente pela qualidade. Para um sex-symbol, Lana conseguiu uma filmografia longa (mesmo envelhecendo, continuou a fazer filmes), variada e acima do apreciável.



Neste post, farei um apanhado dos meus filmes favoritos da minha também estrela favorita. Além disso, mostrarei os seus piores, quase intragáveis, que também os tem. Aliás, começo por aí.



O FILME INTRAGÁVEL DE LANA TURNER

BY LOVED POSSESSED (1961)


Conheci este filme, ao comprar um DVD duplo da maravilhosa estrela. Trazia Imitation of Life (1959), o seu melhor filme. Como é costume, o muito bom lado A trás um esquecível lado B, mas neste caso, esse lado é traumatizante. By Loved Possessed, que eu nunca tinha ouvido falar, vinha com Imitation of Life e eu, mesmo desconfiando que o filme não fosse grande coisa, nunca imaginei que fosse tão detestável. É das piores coisas que já vi. Uma seca. Não vale nada. Nem a beleza de Lana consegue tornar o filme comestível. Não recomendo.
























OS FILMES QUASE MAUS


GREEN DOLPHIN STREET (1947)

Os filmes quase maus não valem a pena, a não ser que o leitor seja um fã de Lana Turner. The Rains of Ranchipur (1955) e Green Dolphin Street (1947) não são bons filmes. O ritmo é de um tédio atroz, principalmente no que respeita ao filme de 1947, feito no momento em que Lana era uma das maiores estrelas de Hollywood. Afinal, havia terminado de fazer The Postman Always Rings Twice, filme que lhe garantiu um ao lugar ao sol para todo o sempre. Green Dolphins Street tem charme, beleza visual. O plot é interessante e os efeitos especiais que ilustram o terramoto são impressionantes. Mas a história longa e vagarosa no seu desenrolar faz do espectador um ser irritado e desesperado. Atenção! Há quem goste do filme. Mas eu não o recomendo, a não ser para os fãs de Turner.





THE RAINS OF RANCHIPUR (1955)

 Este vê-se melhor, não fosse um filme menos longo. Mas é mais fraco. É um miséria de história principalmente se compararmos com o original The Rains Came (1939), com Tyrone Power e Myrna Loy. The Rains of Runchipur é um remake esquecível, sendo que os próprios efeitos especiais que ilustram a inundação não surpreendem mais que os do filme original. O pior é mesmo a falta de química entre Lana e Richard Burton. Os dois filmes catástrofe de Lana não valem a pena serem vistos. E há um problema em The Rains of Ranchipur que não se manifesta em Green Dolphins Street. Lana não está muito bonita. Eu não entendo. The Sea Chase (1955), filme antecessor, mostra uma Lana bonita e sensual (como de costume). Peyton Place (1957), filme posterior, revela uma Lana também mais bela que The Rains of Ranchipur. E é de frisar que, em Peyton Place, Lana não está glamorosa. Bem, é um mistério.





OS MELHORES (ordem crescente)

Qualquer um destes filmes é recomendado.


PEYTON PLACE (1957)

Não chegando a ser nenhuma obra-prima, Peyton Place é um melodrama interessante, sobretudo pela sua faceta histórica. A meu ver, um filme não perde força por retratar uma sociedade com preconceitos que já não mais existe. Se assim fosse, a disciplina de História seria dispensável. Boas interpretações (repare-se que Lana foi nomeada pela única vez para o óscar de melhor atriz principal), fotografia soberba e temas pesados fazem de Peyton Place um filme bastante interessante.


MADAME X (1966)

Ora aqui está um melodrama que deveria ser mais lembrado. Julgo que o tempo tem vindo a conceder-lhe um maior destaque. Novelista, intimista, quente e glamoroso, Madame X prende o espectador e leva-o às lágrimas. Desde Peyton Place que Lana conheceu uma nova faceta da sua carreira. Mal ela deveria imaginar que os seus filmes mais amados foram realizados numa altura em que estrelas clássicas como ela estavam a ficar fora de moda. A sexy rainha da MGM tornou-se uma matrona glamorosa em melodramas repletos de cores e cenários sumptuosos. Não poderíamos estar a falar de mais ninguém senão Ross Hunter, o produtor dos melodramas coloridos de Douglas Sirk. Com Lana, Hunter participou em Imitation of Life, Portrait in Black (1960) e Madame X. Foram estes filmes, juntamente com Peyton Place que mostraram Lana como uma cara importante no melodrama clássico. Madame X já vem mais tarde e é o seu último grande sucesso ou, pelo menos, o seu último grande filme. Inicialmente glamorosa, Lana revela-nos uma mulher envelhecida perante um tribunal num dos grandes momentos da sua carreira. A relação com a bela Constance Bennett, que entra no filme, foi tensa e as duas disputavam os melhores vestidos. É possível que a má relação entre as duas tenha dado veracidade à história. Para mim, Madame X conhece a melhor interpretação de Lana Turner.




THE POSTMAN ALWAYS RINGS TWICE (1946)

Um noir bastante bom e, sem dúvida, dos mais iconicos. A partir do momento do assassinato, a história perde força e torna-se um pouco confusa. Ainda assim, muito bom. Lana, embora tenha um cabelo demasiado encaracolado (parece um peruca do século XIX), tem um aspecto sensualíssimo e uma prestação apreciável. Acontece que não vejo grande química entre os atores principais. Isso afeta o filme. Em The Postman Always Rings Twice, Lana interpreta a femme fatal Cora, o seu papel predilecto. As cenas da praia são estranhamente românticas e os close-ups ao rosto da estrela são tão poderosos quanto os de Garbo em Rainha Cristina (1933). Lana receberia boas críticas pela sua atuação. O filme é a adaptação do livro policial The Postman Always Rings Twice de James M. Cain. Este, de tão contente com a prestação de Lana, dar-lhe-ia um exemplar da sua obra com a sua assinatura.



2 THE BAD AND THE BEAUTIFUL (1952)

A prestação de Lana em The Postman Always Rings Twice é boa, mas é em The Bad and the Beautiful que a estrela mostra ter um desempenho digno de um óscar. Lana teve sempre o problema de ser "plástica", tanto na aparência quanto na representação. Se os anos 40 mostram a Lana sexy e bonita, os 50 revelam o seu talento de atriz. Em The Bad and the Beautiful, a loira dá vida a uma estrela! Isso era o que Lana sabia ser na vida real. Talvez por isso, o seu desempenho seja tão credível. O filme não tem o destaque de Sunset Bulevar (1950) ou A Star is Born (1954), outros clássicos que abordam o mundo por trás das câmaras. Ainda assim, vale a pena ver o filme.



1 Imitation of Life (1959)

O único filme que eu posso classificar como obra-prima. The Postman e The Bad and the Beautiful são clássicos e merecem essa designação. Mas Imitation of Life está acima disso. É o melodrama por excelência. Lana, ainda que os seus anos de beleza formidável já houvessem passado, mantém-se uma mulher de beleza deslumbrante. E ao nível de talento? Está muito bem, demonstrando sensibilidade numa obra onde tudo são lágrimas (a começar pelas jóias do genérico). Imitation of Life é dos títulos mais formidáveis do cinema. Lana vive uma imitação de vida, não pensasse que os luxos que confere à sua filha lhe garantissem um real papel de mãe. Cheryl Crane diz não conseguir ver este filme, pois dá-lhe vontade de chorar, na medida em que lhe lembra muito a sua mãe. De facto, há um paralelo entre a vida de Lana e da sua filha e o filme. Uma mãe que é uma actriz glamorosa e com pouco tempo para a filha, compensando a sua ausência com luxos. Se existe imitação na relação entre mãe e filha brancas que dizer entre mãe e filha negras. Susan Kohner não aceita a sua condição de negra e imita ser uma branca. Doloroso.






Imitation of Life é o melhor filme de Lana Turner, mas não o meu preferido. Vejamos os meus predilectos.


5 MADAME X



4 IMITATION OF LIFE


3 ZIEGFELD GIRL (1941) (não é um dos melhores, mas gostei muito e recomendo pela interpretação de Judy Garland e pela beleza de Lana Turner)




2 LOVE FINDS ANDY HARDY (1938) (não é dos melhores, mas recomendo por ser tão agradável)





1 THE POSTMAN ALWAYS RINGS TWICE




MENÇÕES HONROSAS

Outros que também gostei, mas nem tanto


12 ANOTHER TIME, ANOTHER PLACE (1958)


















Uma história interessante, mas que não está narrada da melhor forma (não recomendo).



11 JOHNNY EAGER( 1942)


Um dos filmes mais amados dos fãs de Lana Turner. Não me convenceu. Não é mau mas eu esperava melhor. Robert Taylor tem uma boa prestação. Lana está belíssima mas quase não aparece.












10 THE SEA CHASE (1955)




Não é nada de especial, mas tem um ritmo bastante bom e Lana, com os lábios num rosa/salmão e os seus vestidos claros, brilhantes e em tons coral, está irresistível (recomendo).


9 THE THREE MUSKETEERS (1948)

Não é um dos meus favoritos, admito. Um dos mais famosos de Lana Turner e aquele em que a estrela apareceu, pela primeira vez numa longa metragem, a cores. A sua beleza é incrível mas o ritmo do filme é irregular e o Gene Kelly tem um overacting muito irritante (recomendo no entanto, não fosse apreciado por tanta gente).



8 HONKY TONK (1941)

Fazer um filme com o rei de Hollywood, Clark Gable, era o sonho de qualquer atriz. Lana teve a sorte de fazer Honky Tonk com o carismático Gable, uma dupla que conheceria 4 filmes. Honky Tonk tem momentos divertidos e agradáveis mas torna-se cansativo (recomendo pela beleza de Lana).



7 PEYTON PLACE




6 THESE GLAMOUR GIRLS (1939)


Um conjunto de starlets dá vida a uma história simples, mas algo cativante pelo glamour e pela juventude inocente que a MGM retratava na era da depressão. Lana revela a sua beleza jovial e doce. O ritmo é algo irritante mas há bons e charmosos momentos (não recomendo pois o filme não é nada de especial, a menos que se trate de um fã de Lana Turner).




5 DR. JEKYLL AND MR. HYDE (1941)





O ritmo é algo vagaroso, mas há momentos bons. Destaco a sensualidad de Ingrid Bergman e a fotografia. Lana não faz muito, embora, no momento final, a sua cena demasiado melodramática com Spencer Tracy revela o seu talento (recomendo pelo plot interessante e por revelar o talento, ainda que verde, de Lana).


4 THE BAD AND THE BEAUTIFUL




3 DRAMATIC SCHOOL (1938)

Lana num papel figurante no drama Dramatic School. Ainda que não seja um grande filme, a história contada é  absorvente e o ritmo apreciável. Luise Rainer foi a primeira atriz a ganhar dois oscares de melhor atriz em dois anos seguidos. Eu sinceramente acho a sua interpretação em Dramatic School artificial. Já a bela Paulette Goddard tem uma prestação maravilhosa. Não recomendo  este filme na medida em que não é nada de especial.


2 SLIGHTLY DANGEROUS (1943)
Que história ridícula e mais pobre. A ideia base é absurdamente atractiva mas o rumo que o filme toma não é cativante. No entanto, vale pela beleza de Lana e pelo seu desempenho, revelador do talento da estrela para a comédia. Por isso, recomendo para quem é fã da estrela.




1 DIANE (1956)


Um filme que deveria ser mais lembrado. Não acredito que a história retrate com veracidade a vida de Diane de Poitiers, encarnada por Lana Turner. Porém, o plot é recheado de intriga, mistério, ação e, claro, glamour, não fosse um filme de Lana. Recomendo por isso mesmo. Os cenários também devem ser destacados, pois parecem-me bastante credíveis.

Feito este post, é-me possível revelar a minha lista por ordem de preferência de todos os filmes que vi de Lana:

1 THE POSTMAN ALWAYS RINGS TWICE
2 LOVE FINDS ANDY HARDY
3 ZIEGFELD GIRL
4 IMITATION OF LIFE
5 MADADE X
6 DIANE
7 SLIGHTLY DANGEROUS
8 DRAMATIC SCHOOL
9 THE BAD AND THE BEAUTIFUL
10 DR. JEKYLL AND MR. HYDE
11 THESE GLAMOUR GIRLS
12 PEYTON PLACE
13 HONKY TONK
14 THE THREE MUSKETEERS
15 THE SEA CHASE
16 JOHNNY EAGER
17 ANOTHER TIME, ANOTHER PLACE
18 GREEN DOLPHIN STREET
19 THE RAINS OF RANCHIPUR
20 BY LOVE POSSESSED



Pela apresentação aqui feita, entende-se que Lana tem, na sua filmografia, uma obra-prima (Imitation of Life), assim como vários filmes de qualidade, alguns considerados clássicos (The Postman, The Bad and the Beautiful, Peyton Place, Madame X). Lana foi sexy (Ziegfeld Girl) e angelical (Dr. Jekyll and Mr. Hyde). Fez de tudo um pouco. Participou em dramas, essencialmente (Imitation of Life, Madame X), comédias (Slightly Dangerous, The Merry Widow), musicais (Ziegfeld Girl)e noirs (Johnny Eager, The Postman). Pôde fazer de bondosa (Dr. Jekyll and Mr. Hyde), malvada (The Three Musketeers), vítima (Ziegfeld Girl), cómica (Slightly Dangerous), amargurada (Madame X, Peyton Place). Uma carreira variada mas sempre pautada pelo glamour. Não nos esqueçamos! Afinal, é Lana Turner!













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