quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Rita Hayworth: a ruiva mais bela do cinema

À excepção da Lana Turner, não há mulher mais bela no cinema que Rita Hayworth. Até Rita é mais bela que Lana, embora às vezes tenha as minhas dúvidas. Esta diva do cinema merece ser falada por outras qualidades, para além da sua figura física. Acontece que é inevitável não abordar a beleza facial de Rita. O rosto quase perfeito.




A minha imagem favorita de Rita Hayworth



Comecei a interessar-me por cinema graças à Marilyn e à Rita. Foi a beleza delas que me cativou. Rita pareceu-me, quando comecei a investigar a sua vida, uma mulher sensual e boa atriz. Neste momento, não a acho muito sensual e as suas qualidades dramáticas são questionáveis, já para não abordar que é considerada frequentemente uma atriz medíocre. 



Rita, a uma primeira vista, a um primeiro contacto com as suas fotos glamorosas feitas em estúdio, parece uma mulher segura, sexual, poderosa e, algumas vezes, alegre, energética, optimista e muito divertida. Bom, quando se começa a visionar filmes, a tristeza melancólica da ruiva é transparecida e percebe-se que essa tristeza é parte da verdadeira Rita.




Sensual




Sensual, poderosa, perigosa




Sensual




Sensual e Poderosa




Sensual, energética e divertida



Sensual, energética



Nos seus filmes, mesmo nos musicais, Rita deixa transparecer uma fragilidade e tristeza que fazem um contraste óbvio com o seu cabelo flamejante.




Rita tem um ar melancólico, sonhador. Nada a ver com as fotografias.





Esta expressão expressa a melancolia de Rita. Neste cena do filme The Lady from Shanghai, Rita deve estar realmente a fazer um cena em que tem de se mostrar triste. Acontece que esta apatia costuma estar presente em vários momentos de diversos filmes. É difícil mostrar por imagens. O melhor é visionar os filmes.


No cinema noir, Rita revela ainda mais a sua tristeza. Afinal, este cinema é mais triste que feliz.







Rita Hayworth foi seguramente a maior estrela da Columbia do cinema clássico. De aparência hispânica, a morena Margarita Cansino viu a sua aparência mais americana ao ver-se ruiva e passando pelo processo de eletrólise para que o seu cabelo começasse a nascer mais longe da testa.





Os anos 40 são os melhores de Rita Hayworth enquanto estrela. É no decorrer deles que faz dois musicais de sucesso com Fred Astaire (You'll never Get Rich (1941) e You Were Never Lovelier (1942)), um musical maravilhoso a cores (Cover Girl (1944)), onde Rita revela pela primeira vez em filme, se não estou enganado, o seu cabelo ruivo, Gilda ( 1946), o seu filme mais popular, The Lady from Shanghai (1947) (cada vez mais clássico) e The Loves of Carmen (1948)mediocre mas representativo da cultura hispânica de Hayworth.



Os anos 50 não foram tão brilhantes, com filmes fracos como Affair in Trinidad (1951), mas que eu gosto, Salome (1953) e Miss Sadie Thompson (1953). Em 1957 e 1958, todavia, Rita faria dois filmes bastante bons, sendo estes Pal Joey e Separate Tables respectivamente. Se Pal Joey não é excepcional e não corresponde à sumptuosidade dos seus musicais anteriores como Cover Girl e Down to Earth, Separate Tables é um dos melhores filmes de Rita, se calhar mesmo o melhor, com uma sua interpretação bastante boa, mas não capaz de brilhar fortemente devido a um muito maior talento de atores como Burt Lancaster e Deborah Kerr.



Rita, uma Gilda apagada em Affair in Trinidad




Rita belíssima em Salome, embora o filme seja bastante medíocre. A Columbia não podia estragar a imagem de Rita, que não tinha a sua imagem ligada ao papel de vilãs. Assim sendo, alterou a história original e fez de Salomé uma personagem amistosa. A dança dos sete véus (imagem acima) é belíssima.



Rita era uma morenita tímida, insegura. Conseguiu virar estrela, uma das mais belas e glamorosas e,
como outras, foi considerada má atriz devido à sua beleza. Foi "baptizada" de "Love Goddess", um nome que deve ser estudado. Ora, as divas endeusadas do cinema foram, além das do cinema mudo, as misteriosas Greta Garbo e Marlene Dietrich. Rita já não está enquadrada na altura em que as estrelas eram consideradas deusas como as outras duas. A ruiva era uma pin-up, uma rapariga sexy que dançava flamenco. Rita era uma garota carnal, morena. Não tinha nada de etéreo nem era altiva como Garbo.



























Nota: Repare-se nas imagens de Garbo (centro), Dietrich (cima, esquerda) e Hayworth (baixo, direita). Garbo e Dietrich transmitem mistério, divindade, glamour muito sofisticado e um certo distanciamento. Hayworth é diferente. É sexy, calorosa, próxima e não é misteriosa.





Apesar de Rita ser uma estrela sem toques de mistério e esoterismo, Cover Girl dá-lhe uma pitada de classe, de charme etéreo. Rita interpreta Rush, uma rapariga pobre e dançarina, como a verdadeira Rita, que consegue glória num mundo de brilho e dinheiro, virando uma diva para o público. Tornou-se uma deusa. Foi isso que aconteceu com Rita na vida real. A morena sexy tornou-se uma mulher majestosa! E romântica como aparenta, e é a deusa do amor. Provavelmente é a "Love Goddess" porque qualquer um se apaixona por ela.


Rita Hayworth com Gene Kelly em Cover Girl



Primeira cena do filme Cover Girl. Rita é uma dançarina de um salão barato. Carnalidade e sensualidade são a sua marca. Não há classe. Ao lado dela está a atriz Leslie Brooks que nunca se tornou muito famosa, não sei porquê. É quase tão bela como Rita e é uma atriz competente.




A transformação de Rita Hayworth em Cover Girl. De rapariga simples e sexy para uma mulher sofisticada.




A ruiva tem a capacidade de ser uma mulher terrena, sensual, próxima e, simultaneamente, ou por vezes, divina, distante, venerável, deslumbrante. Rita chegou a fazer de deusa em Down to Earth (1947).


Rita em Down to Earth, uma deusa do Olimpo



Não é considerada uma grande atriz, sendo que, todavia, eu não posso deixar de valorizar o seu desempenho em filmes como Gilda, Miss Sadie Thompson e Pal Joey. Não há problema de overacting na interpretação de Rita, podendo, sim, surgir problemas de underacting.


Rita Hayworth em Gilda



Rita Hayworth em Miss Sadie Thompson




Rita é, bastantes vezes, calma demais, mole como em Gilda ou The Lady from Shanghai. Bom, mas é

o papel que também assim exige. Enumero, no entanto, alguns momentos em que Rita tem uma boa atuação:



Gilda: em quase todos os momentos, ela está fabulosa. Beleza e talento potentes, mas a cena do beijo com Glen Ford no quarto não é fácil de dar. Rita cria um perigoso ambiente erótico. Destaco ainda a cena em que Rita manda bocas a Ford no casino, quando os três protagonistas bebem um copo e o momento final em que Rita fala com Uncle Pio.




Ela aproxima-se!



Um beijo apaixonado com direito a expressões eróticas















E interrompido por um barulho suspeito

















The Lady From Shanghai: Rita está apática neste filme. Ainda assim, o seu desempenho no início, quando fala com Orson Welles na carruagem, está bastante competente.





















Miss Sadie Thompson: Não me lembro de nenhuma cena específica mas a expressão dramática de Rita está bastante boa ao longo do filme (ela recebeu boas críticas pelo seu desempenho).























Pal Joey: O momento em que Rita contracena com Kim é fabuloso. Ela, provavelmente por contracenar com alguém de pouco talento como Kim, tem um desempenho seguro e convincente. É provável que Rita tivesse talento para fazer papel de má, mas este papel não foi muitas vezes representado pela ruiva da Columbia.





















Pal Joey é um interessante filme de ser estudado. Kim Novak, a nova estrela da Columbia, que funcionou como a substituta de Rita Hayworth, já mais velha e sem a beleza de antes para brilhar, está belíssima no filme. Se compararmos Kim a Rita, no auge da beleza de cada uma, dificilmente alguém afirma que Kim é a mais bela. Porém, em Pal Joey, a nova Kim está, de facto, mais bonita que a envelhecida Rita. Não só por Rita estar mais velha (há mais pessoas que ficam mais bonitas com a idade) mas também pelo facto de estar demasiado maquilhada e com  o cabelo atado que não a favorece tanto quanto as maravilhosas ondas que lhe cobrem o pescoço. Ainda assim, no momento em que Rita Hayworth canta "Bewitched Bothered and Bewildered", o seu cabelo está solto, fazendo o espectador ter um visão da bela Gilda. É uma prenda para os olhos. O seu ar de matrona em Pal Joey é, por momentos, esquecido e uma Gilda, ainda que envelhecida, volta a surgir.





Na foto acima, pode ver-se Rita com o cabelo atado mas, na imagem ao lado, a ruiva volta a ter o cabelo que lhe é associado ao cantar Bewitched Bothered and Bewildered










O ar de matrona de Rita Hayworth














No número "Zip", o primeiro número musical de Rita em Pal Joey, a estrela retira uma luva com a mão tal como em Gilda (mais uma associação ao filme iconico da ruiva, desta vez, muito provavelmente, feita propositadamente).








Rita não tinha uma beleza exótica. Os seus olhos não eram como os de Ava Gardner, nem o seu rosto, num conjunto, belo e estranho como o de Ingrid Bergman. Todavia, a beleza de Rita é tão harmoniosa e clássica que a tornam irresistível. Com ombros demasiado largos, um pouco larga para o meu gosto, mas mesmo assim, bela.


Rita e o seu famoso fato com o qual faz um striptease em Gilda (ela tira apenas uma luva mas pode imaginar-se que a luva é o vestido preto que se retira lentamente e deixa o braço/corpo à mostra)




Não teve uma vida muito fácil, com casamentos fracassados e a doença de Alzheimer a afeta-la, aparecendo-lhe demasiado cedo. Apesar de tudo, o seu carisma, beleza e talento encantam. Não era uma atriz estupenda, mas a qualidade de estrela era inegável.




Rita não se interessava por festas e brilho. Queria ser mãe de família e viver numa casa com uma vida estável. Orson Welles não podia dar-lhe uma vida estável. Ele olhou para a foto abaixo e disse que se ia casar com ela. Conseguiu. Mas não lhe foi fiel...





"Put the Blame on Mame" é a canção mais famosa de Rita. A mulher com um dos cabelos mais belos de Hollywood acreditava que sabia cantar suficientemente bem desde que lhe dessem aulas de canto. Não lhe deram e ela foi constantemente dobrada. Apesar de tudo, existem momentos musicais com Rita que são um fenómeno belíssimo.

Make way for tomorrow"(em Cover Girl) e "Bewitched Bothered and Bewildered" (Pal Joey) mostram isso mesmo.








Bewitched Bothered and Bewildered



A Columbia devia gostar de associar as suas atrizes a cores específicas. Sei que fez isso com a "substituta" de Rita, Kim Novak, cuja cor era o lilás. Ora, Rita aparece várias vezes a dançar de verde.


Cover Girl



Tonight and Every Night


Rita foi uma grande estrela e nos dias atuais continua a ser recordada, com entusiasmo e amor. Infelizmente, o seu papel em Gilda resume-se muitas vezes àquilo que algumas pessoas sabem dela. Gilda foi o papel mais importante de Rita, facto que ela não esperava. Nesta entrevista, a ruiva recorda a sua vida e mostra o seu carinho pela personagem Gilda que fez dela um eterno símbolo erótico.










Todavia, Rita deve ser recordada pelos seus desempenhos em musicais como Cover Girl, onde revela o seu talento para a dança, Pal Joey, onde conjuga bem o talento dramático e a dança, e Separate Tables, onde mostra competência dramática sem precisar de apoio de imagem (neste filme, nota-se já um considerável desgaste físico).




É de notar que Rita, em Affair in Trinidad, parece bastante envelhecida e sem grande energia. Em Salome, filme seguinte, Rita parece ter rejuvenescido. É provável que o envelhecimento tenha sido resultado do seu casamento fracassado com o príncipe Ali Kahn. De facto, Affair in Trinidad foi o primeiro filme de Rita, depois desta se ter divorciado de Ali Kahn e ter voltado para Hollywood, continuando com a sua carreira de atriz. O divórcio havia sido recente quando Affair in Trinidad foi  feito. Daí Rita estar abatida e com um rosto cansado. Nos filmes Pal Joey e Separate Tables, Rita mostra-se demasiado velha para a idade. Este desgaste era sinal da doença de Alzheimer que começava a afeta-la.



Na foto acima: Rita e Burt Lancaster em Separate Tables 
numa das cenas mais poderosas do filme




















Uma cansada e sem brilho Rita Hayworth em Affair in Trinidad
Este filme, uma cópia de Gilda, não tem, nem de longe, a magnética Rita de antes





Rita foi um belo ser humano. Não apenas belo enquanto rosto mas também  enquanto ser humano. Não era mulher de ganâncias nem ambições desmedidas. Eu gostava mesmo que ela fosse um pouco mais sonhadora. Rita queria uma casa com um marido e filhos. Conseguiu mas não do modo que desejava, pois teve vários maridos. 




Rita, Orson e, provavelmente, a filha dos dois, Rebecca, numa foto caseira




A bondade, simplicidade deixam transparecer-se naquele olhar melancólico disfarçado pelas pestanas postiças que Rita utiliza em Gilda. Ela fez de "girl next door", "femme fatale", mulher envelhecida e com medo disso. 



Rita Hayworth como "Girl Next Door" em Cover Girl




Rita Hayworth, como Femme Fatale em The Lady From Shanghai



Rita Hayworth em Separate Tables, onde interpreta uma mulher com medo de envelhecer




Ela dava para qualquer papel. A AFI colocou-a em 19º lugar na lista das maiores 25 estrelas femininas de sempre. Não é mau, pois são muitas e podia nem aparecer. Para mim, ela é uma das mais importantes. A Rita é demasiado bela para se considerar sempre a beleza algo subjetivo. A Rita é a beleza. A Rita é, como Sinatra disse, "Ela é a Columbia Pictures". E é muito, muito mais que isso.


terça-feira, 8 de setembro de 2015

Dancing Lady, Joan Crawford is pretty and sexy

Joan Crawford is pretty in "Dancing Lady". I never considered her a beauty. In fact, I don't think she's beautiful. But in "Dancing Lady", Joan Crawford is pretty, lively, sensual, brilliant. She did not dance very well, but their dramatic talents are good in this picture. 





Clark Gable is fine, but his role is not interesting, although providing one of the most sensual moments of classic cinema: a slap on the ass of Joan Crawford is sexy and funny. The songs are not exceptional but the choreography, by contrast, is competent and the plot, though quite common, is not unpalatable. 





After all, the film bored me a bit. Boring music and history not very engaging. Not a must-see movie but it's no waste. "Dancing Lady" is fairly good and the magnetism of Joan Crawford is a reason to see the film.