segunda-feira, 22 de junho de 2015

Top: Os 50 filmes que eu mais gosto

Este é um desafio avassalador! Eu não sei como serei capaz de decidir quais os meus filmes favoritos numa ordem de 50 filmes. Eu tenho os meus favoritos, mas só consigo inúmera-los mais ao menos até ao 10º lugar. Depois começa a ser muito difícil. Esta ordem pode mudar, não sendo esta lista uma lista fechada.

50 Cat People (1942)

Cat People é um famoso filme de terror, conhecido pela sugestão e não pelo explícito. Não estava à espera de me assustar tanto quando o vi. O facto de, ao longo da história, nunca entendermos se Irena se transforma em Pantera ou não, aliado aos sustos que as personagens sofrem, onde se brinca simplesmente com a luz, a sombra e o não mostrar, inquietaram-me. Pelo que sei, há quem goste muito do filme, e há quem deteste. Eu gosto. Não o considero uma obra prima, mas é interessante o modo como foi filmado. Tudo sugere, nada é revelado até ao final. O filme é pequeno, com uma história um pouco vazia, mas prendeu a minha atenção. A cena da piscina é a melhor.








49 House of Wax (1953)


Vi este filme, pela primeira vez, na rtp2, há uns cinco anos e gostei! É assustador e Vincent Price está na sua praia, maravilhoso ator.
















48 A Place in the Sun (1951)

Sensível, emotivo, melancólico e muito triste. Montgomery Clift desnorteado, Elizabeth Taylor mais bela que nunca, embora num papel não muito interessante, e Shelley Winters maravilhosa como atriz.














47 Affair in Trinidad (1951)


Esta história não é nada de especial. É uma imitação barata de Gilda mas eu gosto. Tem Rita Hayworth, que executa dois bailes mais elaborados que em Gilda, e com melhores melodias, tem uma chapada como em Gilda e tem um suspense que não é conhecido em Gilda. A cena em que Rita Hayworth procura o lenço pela mansão é como uma cena de um filme de Hitchcock. O seu desempenho é medíocre mas a história é divertida. A dançarina Vallerie Bettis, que treinou, acho eu, alguns números musicais de Rita, participa como atriz e não desilude.



46 Before Sunset (2004)

Que maravilha de filme. Os diálogos são o filme. E claro, Paris, bela como sempre.















45 Mamma Mia (2008)


Há quem deteste este filme. Ok, ok. A história é simplória e nem sequer é resolvida (não que isto tenha de ser um problema), mas tem as músicas dos ABBA. Eu adoro ABBA. Por isso gosto de Mamma mia. Se não fossem os ABBA, Mamma Mia seria um musical muito medíocre para mim. As interpretações não são más mas é tudo pouco profundo e os números musicais pouco elaborados, se bem que a cena do Dancing Queen é maravilhosa.





44 Out of the Past (1947)


Um noir bastante famoso e, sem dúvida, bom. mas ele não me encanta muito. Tenho ideia que, ao nível de câmara, não tem nada de excepcional. A cena em que Jane Greer chega ao bar de branco e fingi que não sabe que Robert Michum está a olhar para ela é fascinante.










43 The Band Wagon (1952)

Musical alegre e de completa elegância com Fred Astaire e Cyd Charisse. A dança entre os dois vestidos de branco é uma obra de arte e a música "Thats entertainment" é completamente viciante. Além disso a história é divertida.







42 The Emperor's New Groove (2000)


O filme mais divertido da Disney. O filme com mais humor, e um humor inteligente. O filme que é visto em família de uma maneira completamente feliz. É provavelmente o filme que já vi mais vezes em família.










41 Marnie (1964)


Se me pedirem para dizer quais os filmes mais famosos de Hitchcock, eu responderei Rear Window, Vertigo, Psycho e The Birds. Nunca responderia Marnie (1964). Mas este filme deve ser visto, revisto e revisto mais e mais uma vez. Não é um filme com muito suspense mas é duro, triste e perturbador. A frigidez e os medos de Marnie em oposição à carnalidade de Sean Connery dão ao filme a tensão necessária para que o espectador se sinta inquieto. O filme é pesado e a psicanálise é facilmente aplicada ao seu estudo (como já foi mesmo utilizada). A cena da violação é estranha. Uma violação é sempre má, suja. Mas em Marnie é inquietantemente bela. Não é uma violação bruta, mas não deixa de ser uma violação. E, apesar de tudo, continuo, ao longo do filme, a gostar da personagem do Sean Connery. Muito desconfortável ver este filme.



40 On the Town (1949)

Suspense num musical? Estranho mas funciona. On the Town é a alegria do musical, como tantos outros, mas com a vantagem de ter suspense, o que prende facilmente a atenção do espectador. As músicas, tirando a famosa "New York, New York", não são ótimas mas satisfazem. Frank Sinatra perfeito. A relação dele com a taxista é a minha favorita.











39 Frozen (2013)

Todos os filmes que amo da Disney, tirando The Emperor's New Groove, são da era clássica. Eu não via há bastante tempo um filme que me apaixonasse tanto como Frozen. A Disney esteve perfeita. Inovador, belo, emocionante, ternurento. E, muito importante, com ótima música. Bem, eu só me lembro de Let it go mas penso que as outras melodias, mesmo razoáveis, não eram más. Há muito que não ouvia a Disney a compor tão boas músicas.






38 The Skeleton Key (2004) 



Gostei mais deste filme que do The Ring, do mesmo realizador e mais famoso. Eu gosto de New Orleans e o ambiente do filme é envolvente: uma casa assombrada, pântanos, história complexa e imprevisível. Não sei porque razão o filme é tão ignorado. Eu gosto bastante.










37 My life with Judy Garland: Me and my shadows (2001)


Um filme biográfico costuma sempre desiludir. Mas o filme recebedor de vários Emmys e feito para a televisão sobre a vida de Judy Garland é mais que satisfatório. Não sei se é muito realístico (parece-me que sim). A atriz que faz de jovem Judy é parecida fisicamente com a diva mas Judy Davis nada tem de parecido, apesar do bom desempenho que lhe valeu um Emmy.









36 Meet me in saint louis (1944)





Encantador com melodias de tirar o chapéu! As cores são também maravilhosas.















35 Midnight in Paris (2011)



O primeiro filme que vi de Woody Allen. Apaixonei-me. Tem Paris, eu adoro Paris. E depois tem duas épocas douradas que já não voltam. Maravilhoso.














34 Ziegfeld Girl (1941)


Sumptuoso, melodramático, excêntrico e glamoroso. Um bocado longo com números facilmente esquecíveis, apesar da grandiosidade de alguns. Judy Garland mostra o seu habitual talento, se bem que a sua personagem é mais uma adolescente doce com jeito para cantar (prefiro vê-la noutros filmes a fazer este papel que ela própria ficou farta). Hedy Lamarr não faz muito mas é uma beldade morena luminosa que dá ao filme uma pitada de sofisticação europeia. Lana Turner é a estrela do filme no seu primeiro papel dramático. Nunca a vi tão bela. Um filme que hoje já não seria feito, pois o entretenimento mudou.








33 Gilda (1946)



Não é um filme formidável, com uma história boa. Mas é muito mais icónico que outros filmes melhores. Porquê? Porque Rita Hayworth está deslumbrante. Nunca esteve tão bela, já para não falar que faz uma boa interpretação. Fica a pensar-se que não aconteceu muito, quando se acaba de ver este filme noir. E, de facto, não aconteceu muito. Mas não interessa. Fica-se sem saber porque Gilda e Jhonny estão zangados e as vinganças infantizes ao longo do filme que ambos fazem um ao outro para depois quererem ficar juntos é pouco plausível e cai um pouco no ridículo. Apesar de tudo, os maravilhosos ângulos de câmara, as falas inspiradoras e as boas interpretações fazem do filme uma jóia que deve ser vista. Rita Hayworth faz um striptease, no qual retira só uma luva, na minha cena favorita do filme, quando ela canta Put the blame on mameAmado Mio é outra canção com ritmos latinos, associado a Rita. Talvez este seja o filme onde Rita menos dança mas é aquele que lhe é mais reconhecido. Há quem diga que os dois homens protagonistas são homossexuais e que a bengala fálica do marido de Gilda é uma prova disso mesmo. Vi o filme nessa perspetiva e resulta. Gosto de acreditar que são homossexuais, pois garante uma aura mais emocionante e atrevida para o filme, numa época em que não se podia representar a homossexualidade no cinema.


32 Robin Hood (1973)


Gosto tanto deste filme da Disney, sei que não é dos mais icónicos e que não tem uma animação muito sofisticada, mas é tão bom de assistir. A história é boa, todos sabem. A lenda de Robin Hood dá um bom filme tendo ação e romance. Passa-se na idade média, que eu considero fascinante e a música Love é maravilhosa. As personagens, ao serem animais, revela ótima criatividade. Personagens bastante expressivos e carinhosos.




31 Cover Girl (1944)



Parece um filme da MGM, mas é da Columbia. Cor, dança, Gene Kelly, canto, uma maravilha que a MGM podia oferecer. Mas tem um ingrediente maravilhoso e o mais representativo do star system da Columbia, Rita Hayworth. Este é o seu primeiro filme a cores da Columbia e Rita mostra o seu talento para dançar, ainda que a representação encontra-se ainda muito verde (ela nunca chegou a ser um ótima atriz mas sem dúvida que teve melhores desempenhos noutros filmes). Adoro a beleza de Leslie Brooks. Não percebo porque a Columbia nunca a tornou uma poderosa estrela: sabia dançar, era bonita e parecia ter algum talento. Fez poucos filmes e foi, se não me engano, atriz de suporte na maioria das vezes.





30 The Adam's Rib (1949)

uma comédia muito divertida e ousada para a época, julgo eu, a falar de temas feministas. Uma descoberta agradável que me fez assistir a um dos filmes mais engraçados que já vi.














29 Suspicion (1941)


Eu cada vez gosto mais deste filme. Quando o vi pela primeira vez, desiludiu-me. Achei tudo muito parado, com cheiro a mofo e o final uma confusão sem nada resolvido. Ok, o final é o mesmo mas a minha visão sobre Suspicion não é. Comecei a valorizar a história, o ambiente de dúvida presente e já tolero mais o final (a suspeita permanece). Todavia, gostava de um final mais claro, fosse ou não Cary Grant um vilão.


















28 Imitation of Life (1959)

Melodrama mais melodrama que Imitation of Life não deve existir. Tem a autoria de Douglas Sirk e como protagonista Lana Turner que, embora não esteja com a beleza da sua juventude, apresenta-se glamourosa e, mais do que nunca, uma óptima atriz. Imitation of Life pode ser encarado como um filme um pouco "lamechas", mas a verdade é que ele trata de temas verdadeiramente urgentes: o principal deles, o racismo. Penso que em 1959, era ousado um filme denunciar a discriminação racial. É impossível não chorar. Eu chorei, fiquei com a cara repleta de lágrimas. É esse o propósito do melodrama: fazer chorar. e Imitation of Life consegue isso. Os créditos iniciais são dos mais belos que já vi: jóias transparentes a caírem pelo ecrã. Um crítico espanhol disse que se assemelhavam a lágrimas. E é verdade! O filme, desde o início, que convida o espectador a chorar. A futilidade das jóia é como a futilidade que é uma imitação de vida. As jóias, mesmos as autênticas, são imitação. Imitação de algo que supostamente substituem mas não conseguem: o amor. Este amor que a mãe negra dá à filha mas ela recusa. O amor que a mãe branca não dá à filha mas tenta compensar através do dinheiro.



27 Pal Joey (1957)

História muito simples com um Frank Sinatra que se mostrou fisicamente muito ao estilo Sinatra. Kim Novak estava a ser explorada pela Columbia de modo a ser a próxima sex symbol do estúdio e rival de Marilyn Monroe. Rita Hayworth, bela mas já um pouco velha para os padrões de Hollywood, consegue, mesmo assim, roubar a atenção do espectador em relação a Kim. Rita Hayworth deveria ser substituída por Kim como estrela da Columbia, mas mesmo assim, a sua sensualidade elegante que Kim nunca atingiu é, ainda, mais captativa que a misteriosa beleza gelada da loira. Eu tenho a dizer, contudo, que Rita não está favorecida no filme (muito maquilhada, com o cabelo atado). Kim nunca esteve tão bela e obviamente que, se não conhecesse nem uma nem outra, diria que, vendo Pal Joey, Kim era a mais bonita. Mas veria também que, apesar disso, Rita roubava as atenções. Porquê gostar deste filme? Eu acho as músicas uma maravilha. Os números musicais não são espectaculares, basicamente só cantam. Mas o estilo jazz do filme é agradável. Um filme elegante e sensual. Frank canta a maravilhosa I could write a book e a famosa The lady is a tramp. Rita canta a divertida Zip e revela a sua beleza na cena de Bewitched, Bothered and Bewildered, num maravilhoso quarto azul e amarelo. Aí os seus cabelos estão soltos, o que permite ao espectador ter uma visão mais aproximada da bela Rita dos anos anteriores em que mostrava ter o cabelo mais belo do cinema. Kim encanta com a triste My funny Valentine. Além das músicas, os cenários e a ideia de um homem estar indeciso entre duas mulheres fascina-me. É um musical com uma história muito simples, mas com muito boas músicas, que o torna um doce filme para relaxar.




26 Mildred Pierce (1945)


Suspense, noir e melodrama. Uma junção que originou uma obra prima e deu a conhecer uma fantástica Joan Crawford, ganhando o óscar de melhor atriz ao interpretar a protagonista desta história de coragem e preserverança.













25 Top Hat (1935)


A história é simples, roçando a idiotice e o ridículo, mais isto é o pior que se pode dizer de Top Hat. Ou melhor, isto é a única coisa má que se pode mencionar, visto o filme ser repleto de beleza e alegria. E, vale dizer, que a própria simplicidade da história acaba por revelar-se um aliado à magia do filme, visto a trama ser deliciosa. É diversão pura. Os números musicais são de uma harmonia soberba. Check to Check é o auge do filme, para mim (e para muita gente, acredito).















24 Carrie (1976)

Durante um tempo fui completamente viciado neste filme. Foi há uns anos, pouco antes de começar a assistir de forma quase contínua cinema clássico. O filme é um pouco assustador e permite experienciar medo e ansiedade. Mas Carrie tem outro lado igualmente poderoso: o sofrimento da personagem principal, interpretada por Sissy Spacek. O gozo que sofre vindo das colegas malvadas e a pressão provocada pela mãe fanática religiosa (interpretada brilhantemente por Piper Laurie) são envolventes e colocam o espectador do lado de Carrie, desejando que a rapariga consiga ser feliz e libertar-se da vida cruel.


23 The Letter (1940)

Um noir simples mas penetrante. Mistério, crime, sexo e vingança. Tudo isto está em The Letter, uma obra não muito famosa mas também não esquecida. Bette Davis tem um bom desempenho se bem que não é dos melhores. Não é que ela esteja mal. Bette Davis é um talento. Mas o papel da atriz não lhe permite fazer muito.







22 Psycho (1960)
Provavelmente o filme mais icónico de Hitchcock, Psycho é uma maravilhosa aventura. Repleto de suspense, o filme é um paradigma nos meios académicos. Experimentem ver a cena do duche sem a música magnifica de Hermann. Fica um assassinato mais duro, mais cruel. Mesmo assim, eu prefiro a cena com música.




21 The Dark Mirror (1946)



Eu gostei muito deste filme e tenho pena que ele esteja bastante esquecido. Eu posso compara-lo com The Letter. É um policial simples e intrigante. A ideia das gémeas e a questão de qual será a assassina foi muito emocionante enquanto assistia ao filme. Em The Letter, cedo se percebe que Bette é a culpada mas em The Dark Mirror a questão não tem uma tão fácil e rápida resposta. Olivia de Havilland está fabulosa a interpretar as duas gémeas, a boa (tão semelhante aos seus papéis mais famosos) e a má (brilhantemente desempenhada por Olivia, uma atriz capaz de fazer quase todos os papéis). Uma boa surpresa, este filme.






20 Shadow of a doubt (1943)

O primeiro filme que vi de Hitchcock foi Shadow of a doubt. Lá sabia que era de Hitchcock. Gostei muito. Fiquei preso ao assisir o filme. O suspense era evidenciado perfeitamente. Não é dos mais famosos de Hitchcock, mas é um dos meus favoritos.











19 All about Eve (1950)

Este é um filme dos melhores ao nível do guião, como uma professora minha disse uma vez. Recebeu muitos óscars, incluindo o de melhor filme. Parece-me justo.Eu gosto deste filme. Os diálogos são fortes, o melhor de All about Eve. As interpretações que lhes dão cor são igualmente soberbas. Bette Davis fez  só eu melhor papel (não vi todos os filmes dela mas duvido que haja melhor que este desempenho) e Anne Baxter está brilhante, fazendo de dissimulada. O tema é fascinante e atual. As disputas para melhor filme eram All about Eve e Sunset Boulevard, uma obra prima mais famosa hoje em dia que All about Eve. O problema com All about Eve é que o filme tem pouco de filme e bastante de teatro (é como se fosse um teatro filmado). O Sunset Boulevard é cinema: a cena de abertura mostra a magia e o poder da câmara. Julgo que é por isto que os cineastas valorizam mais Sunset Boulevard que All about Eve. E não posso esquecer que os diálogos de Sunset Boulevard são quase tão bons como os de All about Eve (até o filme de Norma Desmond tem frases mais famosas). No entanto eu prefiro All about Eve. Um filme poderoso, onde a câmara não faz muito mas o diálogo faz tudo e muito bem feito.





18 Hannah and her Sisters (1986)


Maravilhoso filme! A música é das melhores coisas (Bewitched Bothered and Bewildered como instrumental) e os diálogos são inteligentes como é costume num filme de Woody Allen. Aprender a perdoar, refletir sobre a vida são os temas desta jóia.







17 The Birds (1963)

Uma maravilha de Hitchcock. Já tenho assistido com amigos que dizem que ficaram desiludidos pelo facto de não perceberem porque os pássaros atacam. Eu talvez também ficasse desiludido caso fosse assistir o filme sem saber que não haveria uma explicação. É que eu acho que quando vi pela primeira vez este filme já sabia que não haveria explicação. Na verdade eu gosto da ideia de mistério que o filme faz rodear o espectador. Os atores, tirando Jessica Tender, não são óptimos mas fazem um bom trabalho. A fotografia é soberba e há diálogos apreciáveis. Sem dúvida um filme original e ousado. Os efeitos especiais estão datados mas, mesmo assim, o filme não envelheceu por ser tão insólito e bem conduzido. Um dos meus favoritos do mestre do suspense.




16 Gentlemen prefer Blondes (1953)


Eu sei que este filme não é nada de especial. Há musicais muito melhores, com mais história, números mais elaborados e melhores canções. Mas eu adoro Gentlemen prefer Blondes. Foi com este filme que comecei a ver filmes da era dourada e a química entre a loira Marilyn a morena Jane é mais que evidente. Os números musicais são razoáveis. São mais ao menos elaborados em termos de coreografia mas não resultam particularmente bem porque as músicas e os cenários não são luminosos, fascinantes. Obviamente que não estou a incluir neste aspeto a música Diamonds are a girl's best friend, bem sonante e apresentada, correspondendo ao momento mais famoso e o meu preferido do filme. A história é vazia, ainda mais que Top Hat, mas é um musical divertido, agradável. Não é um grande filme mas é animado e consegue transmitir bem estar como outros não conseguem. 


15 Love finds Andy Hardy (1938)

Este filme não deve aparecer na lista de ninguém. Na minha aparece e ocupa um bom lugar. Eu adoro Love finds Andy Hardy. É tão nostálgico, querido, inocente, feliz. Mickey Rooney não é um ator que eu goste particularmente. Acho que faz muita fita a mandar berros. Neste filme isso é frequente porque os beijos que as raparigas lhe dão despertam esse mau hábito em si. Tirando isso, o filme é uma delícia. Este é o único filme de Andy Hardy que eu vi. Eu há bastante tempo que o queria ver porque nele entra uma jovem Lana Turner, a minha estrela favorita. Ann Rotherford é encantadora e bonita. Ela podia ter-se tornado uma grande estrela porque ela poderia interpretar personagens como as que Olivia de Havilland fazia (se bem que Ann não é muito talentosa). Quando eu vi Love finds Andy Hardy, o filme tornou-se rapidamente um dos meus favoritos, por ser tão adorável, doce, luminoso e inocente. Não se trata de uma grande história mas é agradável de ver. Os filmes para adolescentes são dos mais asneirentos que existem. Love finds Andy Hardy é o contrário. Totalmente o oposto de American Pie. Não acredito que os adolescentes fossem, nos anos 30, assim tão infantis e inocentes como Mickey Rooney e Judy Garland interpretam as suas personagens. Acontece que, certamente, eram mais inocentes que agora. Os adolescentes de agora não gostariam do filme. É tão infantil quanto um filme da Disney. Contudo, é essa pureza que me faz gostar do filme.


14 Singing in the rain (1952)


Este foi um filme pelo qual me  fui apaixonando paulatinamente. As músicas entraram rapidamente no meu ouvido, de tão viciantes e agradáveis que eram. A história também me cativou, mas não me apaixonou tão avassaladoramente. Com o tempo, o musical tornou-se importante para mim pelo simples facto de não haver filme mais alegre que este.











13 The Wizard of Oz (1939)

Eu estava em Kansas e, então, veio um furacão que me levou para o mundo alegre de Oz, um reino muito longe, que ouvi numa "canção de embalar" e "onde os sonhos que ousamos sonhar realmente se concretizam". É um mundo que fica para lá do arco-íris. É esta viagem que o espectador percorre ao assistir a The Wizard of Oz, o musical mais mágico da MGM. O filme é parte indiscutível da cultura norte-americana, conhecido por ser provavelmente o filme mais visto. Com óptimas interpretações e belas canções, a cena mais icónica do filme é possivelmente o momento em que Judy Garland, perdida nas na sua quinta, no meio das pradarias do Kansas, sonha com um lugar mais alegre, algo que fique para lá da lua, algo além do arco-íris. Embora um pouco infantil e previsível, o filme merece o lugar importante que ocupa ao ser um dos primeiros a cores e, possivelmente, um dos primeiros a tratar da fantasia.


12 Snow White and the Seven Dwarfs (1937)


Este filme é a jóia maior da animação. As músicas são tão sonantes e agradáveis que, seguramente, me acompanharão ao longo da minha vida. Fazem parte da minha infância (tanto em br, que ouço desde sempre, bem como em pt, que ouvi a partir dos meus 10 anos) e, por isso, estiveram sempre comigo. Branca de neve é uma das minhas princesas da Disney favoritas e já foi a minha preferência. Seria injusto se não falasse da Rainha, a vilã que eu mais gosto da Disney. É tão vil quanto bela! A cena da transformação é a melhor do filme. Adoro a música inicial (o fundo de ouro (julgo eu) fez-me sempre lembrar as bolachas belga) e a cena do narrador. Tão misterioso, tão suscitador de vontade de assistir ao filme. Quando a cena do livro termina para mostrar o plano do castelo em aproximação, o suspense ainda hoje é causado. Uma obra de arte imperdível.



11 Sleeping Beauty (1959)

O filme mais importante da minha infância. Eu tinha um livro do filme e, quando a cassete saiu no mercado, eu tinha de ter. Vi o filme vezes e vezes sem conta, levando a fita a ficar tremida. Comprei o DVD e tenho carinho por ele. As imagens são uma obra de arte e a música ainda melhor. Em termos de história, o conto da bela adormecida é muito pouco plausível e a Disney não se centra fortemente no carácter das personagens, a não ser das fadas. Uma maravilha de cores e requinte visual e musical. Por isso, recomendo e adoro assistir.





 10 Beauty and the Beast (1991)


O melhor filme de animação, não deve haver discussão. Da banda sonora há argumentação, passando pelo desenho, Beauty and the Beast é uma obra-prima que lhe valeu uma indicação ao óscar de melhor filme, algo nunca ocorrido a um filme de animação até então e, julgo eu, que não voltou a acontecer desde 1992. Bela é uma heroína maravilhosa, real, bela, corajosa e culta. A cena da ala oeste é óptima, ao estilo da cena em que Joan fontaine vai até ao quanto de Rebeca, do filme com este nome. Personagens estereotipadas e esquemáticas como noutros filmes da Disney, mas ainda assim um filme com uma grande lição moral e cheio de emoção.






9 Cinderella (1950)


O filme que eu mais gosto da Disney. Nunca o tive em cassete e era sempre difícil de assistir. Uma amiga minha tinha e só podia ver Cinderella quando ia a casa dela. Julgo que me emprestou algumas vezes. Certa vez contava ver o filme, quando ela me disse que o havia emprestado a uma amiga. Nunca mais voltei a ver a cassete. Ainda hoje a amiga deve tê-la em sua casa e sem uso algum ou quase nenhum. Eu amava Cinderella, mas não era o meu filme favorito da Disney na infância, ou pelo menos, eu tentava convencer-me que não era o meu preferido, porque eu não amava a protagonista (apenas por vestir azul e usar cabelo apanhado). Engraçado como eu adoro, agora, cabelo apanhado e aprecio bastante azul. Recebi em 2005 o DVD, numa altura em que o filme já era o meu preferido da Disney. Música bastante boa, mas inferior a outras obras da Disney como Snow White and the Seven Dwarfs. a heroína é a mais apreciável das da era clássica (Cinderela, Aurora e Branca de Neve), a vilã muito mais complexa que a Rainha ou Malévola, por ser dissimulada.







8 It happened one night (1934)

Que filme mais agradável! Eu gosto tanto deste filme, a comédia romântica por excelência. A Columbia podia ser um estúdio menor, mas este filme é o seu grande triunfo, ganhando os cinco principais oscars (ou dos principais). Clark Gable sempre charmoso e com jeito para a comédia e Claudette Colbert, chique e divertida, uma combinação que, neste filme, ela faz tão bem. Está perfeita, mostrando, ainda, que tem uma bela perna. O filme é feliz, simples, mas tão agradável, bem filmado, com uma história tão bem contada que faz dele uma maravilha para o espectador.




7 Gone with the Wind (1939)

Eu não sou fã a 100% de Gone with the Wind , mas sou 95%. O filme tem um glamour, uma força, um poder, uma grandiosidade, enfim... é a grande produção das grandes produções! Clark Gable estava no auge do talento e do charme, Olivia de Havilland com a sua beleza angelical e os seus expressivos olhos castanhos, Leslie Howard num conseguido papel contido. Mas a estrela indiscutível é Vivien Leigh, a exuberante sulista, muito mimada e estranhamente irresistível! Acho que fazer uma análise feminista deste filme resulta num exercício interessante. Por um lado, Vivien Leigh interpreta uma mulher corajosa, independente, ativa e decidida. Mas, por outro, ela quer depender de um homem e, no final, chora quando o seu eleito se vai embora. Ela torna-se frágil, inútil sem um homem. Assumindo a teoria de Laura Mulvey, posso dizer que, como noutros filmes do hollywood clássico, a mulher é, neste filme, punida de modo a que o homem escape à ansiedade de castração.


6 Bringing up Baby (1938)


O filme mais divertidamente idiota e alegre do cinema, Bringing up Baby é a maior screwball comedy de sempre. Eu divirto-me tanto com este filme! Cary Grant e Katherine Hepburn estão soberbos! Ele num papel divertido mas contido, com charme e insegurança credível vindo da segurança com que Cary trabalha os seus personagem. Katherine é tola, irresponsável, sem noção de nada e muito engraçada. Uma óptima atriz. O momento em que estão no hotel e ele lhe rasga o vestido é uma maravilha mas as melhores cenas são na casa de campo. Julgo que foi neste filme que a palavra "gay" surgiu pela primeira vez como sinónimo de homossexual.




5 The Postman Always Rings Twice (1946)


O filme The Postman Always Rings Twice é um bom filme. Não é uma obra prima mas é um daqueles que vale a pena ver. A MGM era famosa pelos seus musicais cheios de brilho. Este noir é muito diferente, ao revelar um mundo cinzento. O filme é uma adaptação do livro com o mesmo nome de J M Cain, autor também do livro Double Indeminity que viria a ser adaptado ao cinema, constituindo o noir mais elogiado de sempre.
O filme é longo. Tem muitas reviravoltas. Há quem diga que está preenchido de desejo sexual mas eu sinceramente acho o filme um pouco superficial. Com todo o respeito quanto ao desempenho dos atores, mas não vejo muita paixão. A banda sonora é bonita, apesar de triste.



4 Double Indemnity (1944)

Considerado o maior noir de sempre, Double Imdemnity é um excelente filme. Obscuro, tenebroso, sombrio e com a maior femme fatale do cinema interpretada pela talentosa Barbara Stanwyck, a obra prima de Billy Wilder envolveu-me facilmente. A mulher fatal aqui é mais fatal do que em todos os outros noirs que eu já vi: com uma pulseira no seu tornozelo (sexy), com a sua conversa, com o seu plano de matar o marido e depois o amante. A cena em que o marido morre, na qual apenas o rosto de Barbara é mostrado está incrível! Nada é muito explícito, mas é nesses termos que conhecemos realmente a genialidade dos mestres do cinema. Usar a imaginação e sugerir. Sem menosprezar Hitchcock que, em Psycho e em The Birds, faz um óptimo trabalho em que a pornografia da imagem tem valor.



3 The Heiress (1949)


Se há filme que é agradável do princípio ao fim, esse filme é The Heiress. Olivia de Havilland é a protagonista e consegue completamente a simpatia do espectador, ao mostrar ser uma jovem retraída, frágil, doce e ingénua (semelhante ao seu papel em Gone with the Wind). As cenas com o seu pai são muito boas e amargas. Aliás, todo  filme é amargo. O final é completamente amargo, talvez o mais amargo do cinema. E muito poderoso. Eu cheguei a acreditar que a personagem de Montgomery Clift gostava mesmo de Olivia. Penso que o engano que eu vivenciei fez com que gostasse ainda mais de ver o filme. Olivia venceu o óscar de melhor atriz, o que considero justo, apesar de nem saber  quais eram as restantes nomeadas. Eu gosto muito de William Wyler, mas não sou apaixonado pelo The Best Years of Our Lives, a sua obra-prima. Este é superior a The Heiress, mas, para mim, o filme em que Olivia de Havilland brilhou como nunca é uma maravilha para assistir. O trabalho de câmara é bom, mas não excepcional, sem contar com a cena final. A música do início é chata mas as interpretações e o diálogo são excelentes. Um filme conhecido mas não muito icónico. Deveria ser bem mais conhecido.




2 Rebecca (1940)


Um filme da Disney, misturado por um melodrama de Sirk e uma colher de romance gótico (uma colher de sopa): isto é Rebecca, o filme que levou Joan Fontaine ao estrelato. Tirando a música do genérico, tudo em Rebecca funciona. A abertura, com a narração, é perfeita. O início de filme que eu mais gosto. A parte da adaptação de Joan Fontaine à sua vida em Manderley é a minha parte favorita do filme. Tão envolvente, tão suscitador de pena por parte do espectador. Judith Anderson está perfeita como a tétrica Miss Denders. Lourencer Olivier também está muito bem. Hitchcock enveredou mais pelo policial e pelo suspense, fazendo de Rebecca um filme solitário na sua vasta e maravilhosa carreira. Não que Rebecca não tenha esses ingredientes, mas o melodrama vivido pela personagem de Fontaine sobrepõem-se a qualquer outro. Gostei logo de Rebecca, mal vi o filme, mas o meu amor por esta obra foi aumentando. Sombrio, misterioso, romântico e dramático, Rebecca é um filme quase sem defeitos.



1 Vertigo (1958)


Um resultado original? Não. Um filme realmente bom para merecer tanto prestígio? Sim. Porquê? Porque conta, com câmara subjetiva e música fantasmagórica, a história sobre um homem obssecado por uma mulher tanto linda quanto misteriosa, levando o espectador a vivenciar de perto essa sublime obsessão. A história não tem nada de verosímil, além de que as personagens não causam muita simpatia, mas o "como" é contada faz dela uma obra imperdível do meio cinematográfico. Longo, parado, contemplativo, belo, completamente belo. São Francisco, James Stewart e Kim Novak contam uma história surreal mas contada de forma tão real, que parece ter acontecido com que a assiste. O grande Hitchcock fazia isso com mestria: levar o espectador a experienciar situações perigosas com intensidade, situações essas que dificilmente (e felizmente) são pouco prováveis de serem vivenciadas na realidade. As cenas de voyeurismo, em que Scottie segue "Madeleine", são muito bem feitas e a revelação de quem é Judy um momento forte e destruidor de fantasias como o cinema nunca deu a conhecer. Como se isto não bastasse, Vertigo tem o melhor beijo do cinema (quando Scottie vê Judy sair da casa de banho como "Madeleine") e um final inesperado. O melhor filme de todos teria de ser do melhor realizador de todos também. Imperdível, obsessivo!